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Lean no varejo: Exemplo de Aplicação

lean varejo

No artigo Lean Service: Um exemplo com células, escrevemos sobre a aplicação do Lean em serviços de suporte e administrativos. Agora quero focar nas operações de varejo, um segmento muito particular e relevante do setor de serviços. Recentemente, fizemos um diagnóstico para uma rede do setor varejista de tamanho médio. A proposta foi avaliar o potencial de ganho com a aplicação do Lean no Varejo. Quanto se poderia ganhar em produtividade, redução de custos ou mesmo aumentando o faturamento da loja.

Durante uma semana, acompanhamos os líderes de cada setor da loja varejista. Com isso, pudemos identificar os problemas e desperdícios com os quais o varejo lida no dia a dia.

Perdas no Varejo

O setor de supermercados é muito focado nas perdas. A maioria das médias e grandes redes tem áreas corporativas focadas no controle das perdas. No gráfico abaixo apresentamos as perdas típicas encontradas em uma loja.

Lean no varejo

Dentre as perdas apontadas no gráfico anterior, chama a atenção as quebras operacionais. Essas quebras estão relacionadas aos produtos que, por terem sido danificados ou estragados, acabaram não sendo vendidos. Não geraram faturamento. Ocorreu a famosa quebra.

Como apontado à seguir, o Lean no varejo tem grande potencial de aplicação, resultando em custos menores e resultado superior.

Quebras, mas pode chamar de 7 Desperdícios…

A seguir apresentamos uma típica distribuição destas quebras:

Lean no varejo

As quebras tem grande relação com os 7 desperdícios do Lean Thinking definidos por Ohno em Toyota Production System: Beyond Large-Scale Production – conforme figura à seguir. Sendo que a causa raiz quase se pode garantir que seja o excesso de estoque. Ou melhor, a famosa  superprodução, já apontada por Ohno como não só um desperdício, mas um de mais desperdícios.

7 Desperdícios

No varejo, se faz superprodução quando se compra mais do que a demanda prevista. Isso provoca estoque – claro! E exige áreas de armazenagem maiores, o que é ruim pois demanda área – normalmente em locais cujo valor costuma ser alto. Exige mais manuseio, transporte e armazenamento dos itens, o que acaba danificando as mercadorias. Isso contribui para aumentar as quebras operacionais.

Rupturas no Varejo

Outro problema bastante encontrado no varejo é a ruptura, ou seja, o contrário da superprodução. Quando o cliente procura um produto na gondola e não encontra. A ruptura acontece por ineficiência de processos para identificar as divergências entre o estoque físico e o que consta no sistema do supermercado. Ou quando o comprador leva em consideração apenas o histórico de vendas (ignorando a ruptura enfrentada algum dia pelo item) e deixa de lado o que já deixou de ser vendido. Ou ainda quando a reposição é feita sem um controle eficiente. Os gráficos abaixo representam o comportamento do consumidor quando ele não encontra o produto desejado, e ao lado as principais causas destas rupturas.

Note que ao não encontrar um determinado produto, em quase metade das vezes o cliente opta por um similar. Isso é muito ruim para os fornecedores pois ficam continuamente expostos a concorrência e a comparação entre diferentes produtos devido à ruptura no abastecimento. Por outro lado, quando se analisam as causas principais das rupturas encontramos “Falta de Reposição” em 1o lugar com 42%. Isso significa que o produto estava na loja mas não foi reposto na gondola à tempo.

A Harvard Business Review publicou um artigo interessante sobre Lean no varejo como prática para redução de estoques: Control Your Inventory in a World of Lean Retailing. Embora este artigo seja antigo, dúvidas sobre como balancear as metas de compras das redes varejistas com suas respectivas metas de logística, persistem.

Ainda cabe apontar o efeito chicote como importante fator multiplicador das variações na demanda. O efeito chicote, incialmente chamado de efeito Forrester, diz respeito a como uma pequena oscilação na demanda – na ponta da cadeia de suprimentos, quando não filtrada, se expande ao longo da cadeia de abastecimento provoca picos de demanda absolutamente irreais. Esse efeito de propagação resulta em grandes variações nos volumes pedidos para o CD e fornecedores. Isso provoca estoque em excesso em alguns momentos, e em outros, rupturas.

Um modo de filtrar as oscilações naturais que depois geram o efeito chicote é usar uma logística puxada. Os supermercados estabelecidos pela puxada tem efeito amortecedor para os picos e vales da demanda.

Value Stream Map

Uma ferramenta muito útil que usamos no diagnóstico, é o Value Stream Map. No caso específico desta loja, fizemos o mapa desde o recebimento de mercadoria até o caixa. Com isso, apontamos todos os desperdícios encontrados e os mensuramos, quantitativa e financeiramente. Abaixo segue foto do mapa final.

Lean no varejo

Fluxo de Valor no Varejo

 

Lean no varejo

Essa experiência demonstra o potencial de redução de custos no setor de serviços, e mais especificamente no varejista.

Neste caso específico identificamos oportunidades de redução de estoques, aumento da produtividade e qualidade, assim como redução de custos através da aplicação dos seguintes conceitos:

– Trabalho padronizado para os operadores;

– Gestão Lean do dia a dia, como discutido no artigo Takt Time e Gestao da Rotina;

– Logística interna puxada para reabastecimento das gondolas;

– Formação de team leaders para cada setor da loja;

– dentre outros.

 

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