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Simples é Melhor – O Projeto do Sistema Lean

O Sistema Lean é simples

Sempre que avaliamos as possíveis soluções que podemos implementar junto com um dos nossos clientes, temos como critério a simplicidade da proposta. A simplicidade do sistema é diretamente proporcional a sua robustez. E quanto mais robusto for um sistema, menor é a chance dele falhar – ou requerer manutenção. Como me disse um diretor da Eaton certa vez, “tomara que eu não tenha que mandar os operadores fazerem doutorado para operar o sistema que estão implantando”.

Um sistema lean de produção deve ser simples! Simples na sua operação e gestão. Essa deve ser a essência. Quais ferramentas estarão presentes, kanban, células, gestão visual etc. O essencial é ter um sistema lean – ou um sistema simples.

Quanto mais variáveis temos que controlar para garantir o funcionamento de um sistema, maior é a chance de falha. Neste sentido, mais variáveis significa maior complexidade. Por isso defendemos soluções simples. As empresas não precisam das soluções mais brilhantes, mas sim das mais efetivas e robustas, ou seja, simples! Assim podem seguir produzindo e gerando valor.

Projeto do Sistema Lean em Produto

Este é um exemplo muito didático. Sempre o uso para discutir o conceito de simplicidade – objetivo de um sistema lean.

Quando fiz engenharia aprendi definições de “Simples” e “Complexo” pouco ortodoxas. Simples tem a ver com o conteúdo de informação necessário para o sistema funcionar. Mais informação quer dizer maior complexidade. E mais complexidade significa maior chance de falhar.

Na teoria de design, o bom projeto tem duas características:

  1. Garantir a relação única e direta entre soluções de projeto e desejos dos clientes e
  2. Reduzir ao mínimo o número de variáveis necessárias para controlar o sistema.

O professor Suh sempre usava como exemplo o projeto da pia dos lavatórios do MIT, como no desenho abaixo. Ele apontava o sistema de duas torneiras para controlar vazão e temperatura da água, muito ruim.

Projeto não representa Sistema Lean

Projeto não representa Sistema Lean

O usuário gostaria de regular diretamente temperatura e vazão da água. Nem muito quente, nem muito fria, a uma determinada vazão. Entretanto, quando ele usa a pia ele vê uma torneira para regular a vazão de água fria e outra para vazão de água quente.

Esta solução de projeto não atende ao primeiro princípio: Garantir uma relação única e direta entre a solução de projeto (controle da vazão de água quente ou fria) e o desejo do cliente (regular a vazão de água e a temperatura da mesma). Todo ajuste nas torneiras provoca mudança tanto na vazão quanto na temperatura da água. É impossível fazer um único ajuste e chegar no ponto de água desejado. O nosso terrível chuveiro elétrico, com sua torneira única, serviria de exemplo de projeto ruim para as aulas do Prof. Suh, mas desconfio que ele nunca o viu.

Um possível melhor projeto para a pia é a torneira abaixo. O projeto dela permite a regulagem independente e direta da temperatura e vazão. Além do mais, é simples! Como na figura no início deste post, “Simple is Beautiful”. Isso já responde a quem sempre me pergunta sobre automatizar o projeto tradicional e fazer o ajuste de vazão e temperatura de maneira automática. Essa seria uma solução de projeto que não é nada simples. Aumenta o conteúdo de informação necessário para o sistema funcionar. E a complexidade criada aumenta as chances de falha.

Projeto do Sistema Lean

Bom Exemplo de Sistema Lean

Projeto do Sistema Lean na Empresa

Nas empresas também encontramos este tipo de projeto deficiente. Pense nos sistemas de medição de desempenho usados para gestão da operação. Muitas vezes temos indicadores sobre-medidos. Temos ações gerenciais que impactam positivamente um indicador, e negativamente outro. E isso pode piorar se os indicadores de desempenho conflitantes estiverem em áreas distintas. Acaba-se estimulando o conflito.

Também vemos isso no projeto das operações. O abastecimento de uma linha de montagem pode ser um bom exemplo de projeto ruim. Em algumas linhas de montagem, existem operadores dos dois lados da linha. Isso impede um bom reabastecimento. Praticamente se interrompe a montagem para abastecer o posto. O ideal é posicionarmos todos os operadores do mesmo lado da linha, e usar o outro lado para abastecimento. Permitimos que a produção e logística operem de forma independente. Um time não interfere na operação do outro.

Um último exemplo é a decisão de compra de um equipamento de grande porte. Sempre acabamos nos guiando pela relação custo/benefício, normalmente medida exclusivamente pelo custo unitário previsto. Dificilmente consideramos na decisão de compra quantos SKUs serão produzidos, quantas trocas serão necessárias, dificuldade de componentes sobressalentes etc.

E você, que experiência já teve no desenho do seu sistema lean? Como vê o conceito de Complexidade?

Se você quiser saber mais sobre o conceito de simplicidade discutido neste post veja: Axiomatic Design: Advances and Applications, Oxford, Nam P. Suh, 2001.

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Carlos Lobo

Engenheiro mecânico pela UFRJ, Mestre e Doutor em Engenharia pela Unicamp. Split PhD pelo MIT. PMD pelo ISE/IESE Business School. 15 anos de experiência em projetos de melhoria. Traduziu e prefaciou o livro “Criando Fluxo Contínuo” publicado pelo Lean Enterprise Institute.